Corrói-me a alma ver o estado a que o meu avô chegou. Dói ver que tudo se quer marimbar para aquilo - ele não ajuda, é um facto - e ter de abdicar da minha vida de adolescente para ir deitá-lo e ajudar na muda da fralda enquanto os filhos (que moram mesmo ao lado!) estão em casa de papo para o ar ... filhos estes que quando ele estava bom de saúde andavam sempre de volta dele a roer-lhe os tostões e agora, quando ele mais precisa, não querem saber e só sabem dizer por aí que "coitadinho do meu paizinho, amo-o tanto". Não sou santa e os meus defeitos não cabem nas minhas mãos mas de uma coisa ninguém me pode acusar: quando ele estava bom de saúde eu não andava por aí a lamber-lhe as botas (nunca gostei disso para ser franca) e agora lá vou ajudando, com o pouco que posso e não me limito a preocupar-me por curiosidade. Ao contrário de grande parte das pessoas, eu sei amar em silêncio porque de palavras o dicionário está cheio, o mundo precisa de ações mas em vez disso as pessoas acham que a vida se faz com palavrinhas. Hoje tenho jantar de família, talvez seja hoje que mande umas grandes verdades - mesmo que camufladas - para ver se, de uma vez por toda, esta gente aprende que a vida não é feita à base do próprio umbigo. E agora vocês até podem dizer que me estou a queixar... mas não, não estou. Claro que não é agradável chegar a casa do meu avô e ver a minha avó aflita porque não tem força para o enxugar e ter de pedir sempre a alguém que a ajude a levantá-lo de modo a que possa pô-lo limpo. Claro que não é fácil sentir-se todo aquele cheiro (ainda agora parece que ele está instalado nas minhas narinas). Claro que perdi o apetite e ainda não almocei por falta de vontade de comer.
Durante vários anos vivi a minha vida de criança, longe de toda a realidade - que na altura não era tão cruel - mas hoje vejo-me quase que obrigada a assistir ás desavenças e atitudes típicas de crianças de pessoas já com mais de 40 anos. Ao primeiro pareceu-me crer que eu estava a dramatizar mas afinal enganei-me. Tudo tem os seus dias contados e espero que esta situação também os tenha porque hoje não me vou calar, doa a quem doer.
Pronto, já desabafei. Já estou melhor. Obrigada!
Sou a Teresa. Apago as velas todos os anos no dia 20 de Fevereiro e atualmente estou a sobreviver aos desafios da escola. Sou obcecada pela minha família, o meu puppy, blogar e chocolates.
O meu pequeno diário online nasceu a 9-10-2010 e é a minha terapia. Aqui poderão encontrar as minhas aventuras, fotografias, desabafos e tudo o que uma vida implica. Sintam-se livres para voltar!

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